O COEP e as escolas

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O COEP e as escolas 2018-05-24T00:16:04+00:00

O COEP 

Criado em 1993, no contexto da grande mobilização nacional contra a fome liderada pelo sociólogo Herbert de Souza (Betinho), o COEP é uma Rede Nacional de Mobilização Social formada por três tipos de redes: uma Rede de Organizações, uma Rede de Comunidades e uma Rede de Pessoas.

Com mais de 25 anos de atuação, o COEP tem como missão mobilizar, se articular e capacitar organizações, comunidades e pessoas para o desenvolvimento de iniciativas, projetos e políticas públicas que contribuam para a construção de um país mais justo e sustentável.

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Em 1993 o Brasil vivia um processo de reorganização das forças da sociedade civil e de retomada da participação popular, quando o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, propôs, junto com o professor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, e o engenheiro de Furnas André Spitz, uma mobilização para envolver as empresas estatais na campanha de combate à fome.

A ideia para criação do COEP surgiu durante um encontro com dirigentes de organizações estatais, convocado por Betinho e realizado, em maio de 1993, no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estiveram presentes representantes de diversas empresas, entre elas Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Chesf, Finep, Fiocruz, Furnas, Embratel, Embrapa, Petrobras e Serpro.

Durante a reunião, Betinho sensibilizou a plateia apresentando os dados do Mapa da Fome – um levantamento feito pelo Ipea o qual indicava que naquele momento havia 32 milhões de brasileiros na indigência. “Estatal não é governamental. Ela tem um capital público e precisa ter um processo decisório público. O defeito da nossa democracia é fazer com que as empresas estatais sejam empresas do governo”, ressaltou. Ao final, ele lançou um desafio aos dirigentes das empresas presentes: nós da sociedade civil já estamos organizados e gostaríamos que as empresas também se engajassem nisso.

Logo depois da fala do Betinho, Marcelo Siqueira, que era o presidente de Furnas naquele momento, propôs a criação de um comitê das estatais e convidou Betinho para ser o coordenador. Assim, em agosto de 1993, 33 dirigentes de empresas, federais e estaduais, fundações e autarquias reuniram-se para formalizar a criação do COEP. Surpreso com a adesão dos dirigentes das estatais a sua convocação, Betinho afirmou: “sem medo de exagero, pode-se dizer que foi a primeira vez na História que as empresas do setor público se reuniram para atuar em comum e produzir sinergia em nome da solidariedade”.

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Uma rede de redes

Originalmente, o COEP era denominado Comitê de Entidades Públicas no Combate à Fome e pela Vida, pois reunia apenas empresas estatais. Depois passou a agregar também empresas e organizações privadas e a se chamar Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida.

Em 1994, também por inspiração de Betinho, a rede começou a se expandir com a criação dos COEP estaduais e municipais. Na ocasião, o sociólogo gravou um vídeo onde propunha uma articulação em rede por meio da instalação de comitês nos estados e municípios. Visionário, Betinho sugeria que a interação da rede poderia se dar via internet.

Assim, o COEP iniciou um processo de descentralização e chegou a contar com mais de 1 mil organizações associadas, além de comitês em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, e 34 comitês municipais.

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Comunicação e mobilização

Para articular essa rede que foi crescendo ao longo do tempo, era preciso manter a mobilização de seus integrantes e fazer a comunicação fluir, estimulando trocas de saberes e experiências. Para isso, o COEP contou desde o início com a internet. Foi uma das primeiras organizações na área social a lançar uma página na rede mundial de computadores, que posteriormente deu lugar ao Portal da Rede COEP, onde os comitês estaduais e municipais podiam criar suas páginas de maneira independente. Hoje, esse portal também dá acesso às outras redes desenvolvidas pelo COEP, como o Portal das Comunidades e a Rede Mobilizadores, além de reunir iniciativas e produtos lançados pela rede.

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Tormentas Cariocas

Desde sua criação, em 1993, o Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida (COEP) vem mobilizando e articulando suas associadas e outras organizações e pessoas para o enfrentamento de problemas decorrentes de eventos climáticos extremos. Estas iniciativas abrangem desde ações pontuais para fazer frente a situações de emergência causadas por calamidades, como enchentes e secas, até a articulação de ações estruturais, de mais longo prazo, envolvendo diferentes parceiros.

Nesse sentido, em 28 de fevereiro de 1996, após as enxurradas que atingiram o Rio de Janeiro, deixando 6.500 desabrigados, o COEP articulou suas associadas para discutir um plano de ajuda aos atingidos pelas fortes chuvas de 15 dias antes. A proposta era também formular uma estratégia de longo prazo para futuras emergências. Foi assim que surgiu a ideia do seminário Prevenção e Controle dos Efeitos dos Temporais no Rio de Janeiro, organizado pelo COEP e pela Coppe/UFRJ, em agosto de 1996.

No evento, que reuniu técnicos, pesquisadores de várias universidades e institutos de pesquisa, políticos e militantes de ONGs, foram partilhados experiências e conhecimentos. Foram, também, criados grupos de trabalho visando à formulação de um conjunto de recomendações para apresentação às autoridades e à sociedade.

Todos esses trabalhos resultaram na publicação, pela Coppe/UFRJ, do livro “Tormentas Cariocas: Prevenção e Controle dos Efeitos dos Temporais no Rio de Janeiro”, com prefácio escrito por Betinho. A publicação foi distribuída para gestores dos municípios, representantes de órgãos públicos, do estado e dos municípios do Rio, ONGs, parlamentares e órgãos técnicos.

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 Tecnologias sociais

Com base no conhecimento adquirido e na metodologia que desenvolveu em sua atuação comunitária, o COEP estabeleceu uma parceria com a Coppe/UFRJ e criou, em 2011, o Laboratório Herbert de Souza de Tecnologia e Cidadania (LABetinho) que tem como objetivo contribuir para a geração de conhecimento no campo socioambiental, ao articular desenvolvimento tecnológico e inovação social. O laboratório foi instalado em uma área de 200 metros quadrados, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Cidade Universitária, com apoio da Fundação Banco do Brasil, de Furnas e do Ministério da Ciência e Tecnologia. A proposta é aproximar cada vez mais os saberes popular e acadêmico, promovendo uma troca e a criação de soluções conjuntas para os problemas mais urgentes das comunidades e das pessoas de baixa renda.

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O COEP e as escolas

O COEP sempre se preocupou em desenvolver ações voltadas para os jovens brasileiros excluídos de seus direitos básicos. Neste sentido, incentiva suas associadas a implementarem iniciativas a eles dirigidas.

Avançando na determinação de focalizar a juventude em suas ações, o COEP lançou em 2001 o projeto “O COEP e a Escola – Caminhando Juntos na Construção da Cidadania”. Assim, tendo as escolas como parceiras e, contando com os professores para o desempenho de uma ação educativa em seu sentido mais amplo, o COEP promoveu um trabalho com jovens da 5ª série à 8ª série em todos os estados brasileiros em que tinha representação.

Em seus nove anos de existência, esta iniciativa desenvolveu diversas atividades com o objetivo de estimular o senso crítico e sensibilizar os jovens para o exercício da cidadania.

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Logo no primeiro ano da iniciativa, 2001, os alunos escreveram redações sobre cidadania, que foram compiladas no livro “O COEP e a escola caminhando juntos na construção da cidadania”.

Em 2002, foi a vez das poesias e frases de caráter mobilizador. As poesias vencedoras foram divulgadas no portal do COEP, e as frases, publicadas na Agenda COEP 2004.

Em 2003, os jovens escreveram cartas com o tema “A Cidadania é construída no dia a dia com a participação de todos”. Os textos premiados foram trocados entre alunos de diferentes estados. A troca de correspondências transformou-se num valioso intercâmbio de experiências.

A partir de 2004, o projeto passou a ter como foco os Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e subscritos por 191 países, dentre eles o Brasil. Neste ano, os jovens foram incentivados a criarem e apresentarem esquetes teatrais sobre o tema.

Um concurso de música foi a forma de expressão do projeto em 2005. Do samba ao rap, os jovens cantaram a igualdade, a paz e a união. As músicas vencedoras nos estados foram reunidas em um CD. A proposta foi bem recebida pelos jovens e acabou sendo replicada nos três anos seguintes. O resultado, com músicas inéditas de jovens de todo o país, está nos três volumes do CD “Os 8 Objetivos do Milênio na Voz dos Jovens”, produzidos pelo COEP.

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A Jornada pela Cidadania foi uma iniciativa de mobilização criada pelo COEP em 2007 com o objetivo de incentivar pessoas de todo o país a implementarem ações voltadas para o desenvolvimento humano e social, utilizando a internet como meio de comunicação.

Em 2009 o COEP lançou o Projeto Jornada Pela Cidadania – Escola em Ação, que foi um processo de mobilização social envolvendo centenas de ações desenvolvidas por alunos de escolas de todo o país. Teve como principal objetivo fortalecer a educação para a cidadania promovendo a sensibilização, a reflexão e a mobilização para um compromisso efetivo com a defesa dos direitos básicos para todos e com a melhoria do bem-estar coletivo.

O tema utilizado para a mobilização social das edições de 2009 e de 2010 foi “Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Pobreza”. Essa iniciativa teve como principais objetivos:

• Contribuir para a maior conscientização/conhecimento de professores e funcionários, alunos e suas famílias, de escolas de todo o país, quanto aos problemas atuais do Brasil e do planeta no que se refere ao meio ambiente e às mudanças climáticas e seus impactos sobre as populações mais pobres;

• Estimular o pensamento crítico e inovador dos jovens, educar para a participação na sociedade e atuação ética em assuntos como desenvolvimento, consumo consciente, diversidade, meio ambiente, solidariedade, etc.

Para viabilizar esta proposta o COEP desenvolveu uma tecnologia social inovadora que utiliza o potencial da internet como meio de comunicação e de mobilização.

Nos anos seguintes o COEP implementou iniciativas voltadas para a sociedade em geral com o objetivo de incentivar pessoas a participarem de atividades de mobilização ou ações coletivas de promoção da cidadania. Nesse período cabe destacar o projeto Mobcidadania, implementado em 2015 e 2016. Trata-se de uma estratégia de mobilização que foi divulgada e inserida no Facebook e no site www.mobilizadores.org.br/mobcidadania.

A estratégia possibilitava que uma pessoa que tivesse interesse em uma causa específica e considerasse importante fazer uma mobilização sobre este tema, criasse um grupo no Facebook e convidasse outras pessoas para participarem. A proposta foi incentivar pessoas para desenvolverem iniciativas de mobilização por meio de debates, troca de experiência, divulgação de conhecimentos sobre uma causa/tema relacionada aos 3 eixos de atuação da Rede COEP, a saber: erradicação da miséria; meio ambiente, clima e vulnerabilidade; e participação, direitos e cidadania.

Confirmando seu compromisso com os jovens, o COEP incentiva sua Rede nos Estados a dar continuidade nas ações voltadas para esta faixa etária. Assim, vários COEP Estaduais e Municipais continuam trabalhando neste sentido como, por exemplo, o COEP PE que vem mantendo a realização anual do Festival de Música e o COEP Contagem que, em ação conjunta com seus parceiros, implementa um projeto de capacitação voltado para a qualificação de mão de obra e promove, também, o encaminhamento desses jovens para postos de trabalho.

     

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Em 2018, o COEP lança a JORNADA CIDADANIA NAS ESCOLAS, uma estratégia de mobilização voltada para os jovens com o objetivo de divulgar os ODS e educar para a participação na sociedade tendo em vista o fortalecimento do processo democrático.

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Laboratório Herbert de Souza


O Laboratório Herbert de Souza – Tecnologia e Cidadania (LABetinho) foi criado em 2009 em parceria com a Coppe/UFRJ e apoio da Fundação Banco do Brasil, de Furnas e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A partir da experiência acumulada pelo COEP – Rede Nacional de Mobilização Social, ao longo de sua trajetória voltada à mobilização social e ao desenvolvimento de comunidades, o LABetinho pretende aprimorar estratégias metodológicas articulando desenvolvimento tecnológico e inovação social e contribuir para a geração de conhecimento na área.

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Criação de metodologias e tecnologias sociais

Dentre os principais resultados do LABetinho está o aprimoramento de metodologias e tecnologias sociais de desenvolvimento comunitário, resultado do trabalho feito pelo COEP há mais de 20 anos em comunidades vulneráveis do Semiárido nordestino, por meio do Programa Comunidades Semiárido – PCSA. O Programa atua hoje em 100 comunidades, sobretudo com jovens lideranças, nos seguintes eixos: fortalecimento da organização comunitária; implantação de técnicas de produção; capacitação, direitos e cidadania.

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Extensão universitária

Em parceria com a Escola de Gastronomia da UFRJ, o Laboratório desenvolve o projeto de extensão “Rede de Saberes”, com o objetivo de criar um canal de encontro e intercâmbio entre os saberes tradicionais acumulados nas comunidades e os saberes científicos produzidos na Universidade. A via principal de registro, compartilhamento e geração de técnicas, tecnologias, estratégias e soluções é um aplicativo para aparelhos móveis conectados à internet. O conteúdo está relacionado a uma ampla gama de temas envolvendo desde técnicas de manejo agrícolas, conservação ambiental, desenvolvimento de equipamentos úteis às atividades produtivas, conhecimentos em informática e tecnologia até metodologias de mobilização e organização comunitárias. O processo irá resultar no registro e conservação de saberes populares e na criação de acesso dos comunitários aos conhecimentos acadêmicos.

Os alunos bolsistas, de diferentes cursos, formando um grupo multidisciplinar, desenvolvem a ação no âmbito da Rede de Comunidades Semiárido, formada por cerca de 90 comunidades rurais do Semiárido nos estados de AL, CE, PB, PE, PI, RN e SE.

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Atuação internacional

Desde 2001 o COEP atua com redes internacionais e de universidades na busca de parcerias para a criação de metodologias de projetos de desenvolvimento comunitário. Em 2013 o LABetinho liderou a criação da BFN – Better Futures Network – uma rede de universidades junto com outros países – Uganda, Estados Unidos, Argentina, Canadá, Guiana, África do Sul, para a troca de conhecimento e desenvolvimento de estratégias de cooperação e ação conjunta entre as comunidades, universidades, instituições de pesquisa e seus parceiros. Um dos desdobramentos dessa Rede foi a criação, em 2015, e um grupo para discutir ações em CBR ( Community Based Research), no qual o Laboratório participa para a construção de um consórcio internacional de Universidades e organizações da sociedade civil para a criação de metodologias para fortalecimento e ampliação das capacidades de comunidades para desenvolverem pesquisas em seus próprios territórios.

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Mudanças climáticas

O Grupo de Trabalho Mudanças Climáticas, Pobreza e Desigualdades (GT MC&Pobreza), foi criado pelo COEP em 2009, numa atuação do LABetinho, no âmbito do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, com o objetivo de trazer para o debate das mudanças climáticas, até então extremamente técnico, o impacto social da vulnerabilidade climática, principalmente em populações vulneráveis. O GT, composto por diversas organizações da sociedade civil e movimentos sociais, realizou pesquisas, estudos, seminários, capacitações para a rede, além de incidir politicamente em eventos internacionais. Foram alcançados resultados importantes, culminando em 2015, com o lançamento pelo Ministério do Meio Ambiente do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, construído com relevante contribuição do GT.

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Inclusão de pessoas com deficiência

Numa parceria da Coppe/UFRJ, por meio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares e do Laboratório Herbert de Souza – Tecnologia e Cidadania, e a Fundação Coppetec, foi criado o Programa Coppe Inclusão, que tem como objetivo contribuir para que pessoas com deficiência tenham acesso ao trabalho na área tecnológica com qualidade, visando à promoção da acessibilidade nos prédios, laboratórios e salas de aula da instituição a fim de garantir o acesso livre a todos os alunos, trabalhadores e visitantes.

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Capacitação

Com o objetivo de incentivar o debate sobre temas de relevância nacional considerando os três eixos de atuação das redes e facilitar a prática de qualificação cidadã, em 2015 foi ampliado o espaço virtual de encontro da Rede Mobilizadores e implantado o Programa de Educação à Distância – EAD, que acontece por meio de fóruns, oficinas, cursos, enquetes, entrevistas, noticias, serviços e oportunidades. Dentre os cursos oferecidos na plataforma, foi oferecido curso “Convivendo com pessoas com deficiência no ambiente de trabalho “, para servidores e alunos da Universidade, em parceria com o Fórum de Acessibilidade da UFRJ, a Coppe e a Agência de Inovação da UFRJ.

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Rede Comunidades Semiárido

A Rede Comunidades Semiárido surgiu da parceria do COEP com comunidades de agricultores familiares do Nordeste. Tudo começou com um esforço conjunto para recuperar a cultura do algodão na agricultura familiar da Paraíba. Paralelamente a essa ação geradora de trabalho e renda foram executadas ações para o desenvolvimento da organização comunitária, para a introdução de tecnologias de convívio com o Semiárido, para a inclusão digital e para o aprofundamento das capacidades das lideranças comunitárias. Atualmente, após mais de 18 anos de parceria, a Rede conta com 80 comunidades e mais de 2.150 pessoas.

Em 1999, o COEP iniciou um projeto visando à reintrodução da cultura do algodão no âmbito da agricultura familiar no Semiárido nordestino. A cultura, tradicional alternativa para a geração de renda na região, vinha sofrendo uma progressiva retração, dada a grande dificuldade de produção ocasionada pelo surgimento do bicudo, uma praga do algodoeiro, e pelos efeitos da abertura de mercado iniciada nos anos 90. A intensa seca ocorrida à época completava um cenário desolador em que milhares de agricultores, impedidos de produzir, se viam obrigados a migrar para as grandes capitais do país em buscas de melhores condições de vida, inchando os bolsões de pobreza nas grandes cidades.

Este primeiro projeto foi implementado em conjunto com a Embrapa Algodão, no Assentamento Margarida Maria Alves, em Juarez Távora/PB. A ação incluiu a capacitação do agricultor em técnicas adequadas de produção e a implementação de equipamentos de beneficiamento, permitindo a agregação de valor ao produto e tornando a cultura novamente viável ao pequeno produtor. A organização para a produção e o incentivo à cultura do associativismo trouxeram efeitos importantes para o desenvolvimento da comunidade e um novo caminho começou a se configurar. No entanto, logo se tornou claro que ao eixo de geração de renda, representado pelas ações recém implantadas, deviam ser consideradas mais amplamente outras vertentes como a questão do convívio com o Semiárido, as questões relacionadas ao meio ambiente, à educação, à cidadania e à organização comunitária.

Com base no sucesso dessa experiência e nas lições aprendidas o projeto foi reaplicado em cinco novas comunidades dos estados da PB, PE, RN, AL e CE, considerando agora como eixos de atuação: “Geração de Trabalho e Renda”, “Convivência com o Semiárido”, “Educação e Cidadania”, “Meio Ambiente e Mudanças Climáticas” e “Organização Comunitária”. Iniciava-se, então, o Programa Comunidades Semiárido, composto por uma série de ações e tecnologias sociais que progressivamente se reaplicavam até alcançar um total de 80 comunidades participantes em sete estados nordestinos, incluindo agora também o Piauí e Sergipe. Criações sustentáveis de caprinos e ovinos, produção orgânica de algodão, cisternas de placas, barragens subterrâneas, viveiros de mudas e telecentros comunitários foram algumas das principais tecnologias envolvidas.

A partir da implementação dos telecentros, em parceria com o Programa Gesac do então Ministério das Comunicações, tornou-se possível a criação de uma rede virtual entre as comunidades. Esse canal de interação foi fundamental para a construção colaborativa de caminhos para o desenvolvimento socioeconômico e aproximou o público mais jovem da discussão de questões de interesse coletivo. Essa rede, denominada Rede de Comunidades Semiárido, opera por meio de redes sociais abertas como o Facebook. A existência desse canal tem possibilitado o planejamento participativo e a coordenação de atividades dos projetos executados, a troca de serviços e experiências entre as lideranças comunitárias, mantendo vivas as alianças criadas por meio de eventos presenciais que compõem a metodologia de trabalho do COEP para o planejamento participativo e capacitações.


Em um importante passo do Programa, foi criado o Projeto Universidades Cidadãs em parceria com o CNPq. Executado entre 2003 e 2007, permitiu um avanço bastante significativo na formação dos líderes comunitários, sobretudo no que diz respeito aos mais jovens. O projeto reuniu seis universidades públicas: UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), UFS (Universidade Federal de Sergipe), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), UFPI (Universidade Federal do Piauí), UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e URCA (Universidade Regional do Cariri) que, de forma integrada com as demais atividades do Programa, articulou a capacidade de atuação em rede e a experiência do COEP em trabalhos comunitários com as competências em pesquisa e formação de recursos humanos das Universidades Federais e Estaduais.

A Rede conta atualmente com mais de 2150 membros. Em conjunto, os participantes vêm trabalhando pelo desenvolvimento das comunidades, incrementando o acesso à informação, a recursos, à interlocução e suporte técnico. A rede permitiu a redução do isolamento e o compartilhamento de responsabilidades, com o desenvolvimento de práticas conjuntas. Têm ainda aumentado a visibilidade de suas iniciativas e multiplicado seus impactos.

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Jovens lideranças comunitárias

Após as ações relacionadas à inclusão digital executadas pelo COEP em parceria com as comunidades da Rede Comunidades Semiárido, o nível de participação dos mais jovens intensificou-se. Cada vez mais os espaços de discussão e de liderança são ocupados por pessoas dessa faixa etária. Pode-se atribuir a consolidação da Rede e sua ampliação à atuação da juventude nas ações propostas. A elaboração de uma nova metodologia de mobilização comunitária, a Jornada foi muito importante para esse processo. A Jornada é uma tecnologia social inovadora.

Ao longo dos últimos anos, o crescimento da participação da juventude nas questões ligadas ao desenvolvimento comunitário tornou-se cada dia mais evidente. Muitos jovens têm se destacado como lideranças e vêm assumindo responsabilidades e posições mais importantes nas instâncias de representação comunitária. Em vista disso, o Programa Comunidades Semiárido vem buscando incentivar e aprofundar as ações da juventude. O protagonismo juvenil responde a problemas reais em questões que ultrapassam sua vida privada, familiar e afetiva, alcançando questões relativas ao bem comum, à escola, à comunidade ou à sociedade como um todo. Pode, ainda, estimular a participação social da população mais jovem, contribuindo não apenas com o desenvolvimento pessoal dos envolvidos, mas com o desenvolvimento das comunidades em que estão inseridos.

Não há dúvidas de que o envolvimento dos jovens enquanto lideranças e o crescimento no nível de mobilização e organização das comunidades têm favorecido de forma importante o enfrentamento das dificuldades locais. Cada vez mais, podemos encontrar grupos que se articulam com o poder público, que buscam políticas públicas, que criam e reinventam suas próprias soluções. Pode-se afirmar que a formação da rede de comunidades é uma das maiores e mais importantes conquistas do Programa, que pode inclusive ser a garantia de que os efeitos objetivos conseguidos pela implementação das tecnologias sociais se mantenham e se multipliquem.

A metodologia desenvolvida ao longo dos anos de parceria com as comunidades incluiu a formação dos chamados Comitês Mobilizadores, grupos de trabalho das associações comunitárias que envolvem necessariamente os jovens além da presidência da associação, mulheres e homens. Representando vários dos segmentos da comunidade, os comitês são responsáveis por mobilizar os moradores para as tarefas coletivas, provocar a discussão sobre as questões comunitárias, organizar e gerir as atividades propostas no âmbito da Rede.

O protagonismo comunitário nas ações tem sido uma preocupação metodológica sempre presente. As ações do COEP na rede de comunidades são estruturadas de maneira que a comunidade tenha papel ativo nas reflexões acerca dos caminhos a seguir, na avaliação e desenvolvimento das ações e na apresentação de suas demandas. A comunidade assume o papel da empreendedora, mobilizando seus componentes e executando uma parte das ações. Dessa forma, pode-se vislumbrar um cenário no qual as comunidades sejam as proponentes de projetos desenhados por elas próprias, e que tenham a capacidade de articular diretamente parcerias externas, acessar políticas públicas, desenvolver e/ou reaplicar tecnologias, além de gerir seus próprios projetos.

A história de ampliação da Rede Comunidades Semiárido e de seus sucessos possui capítulos importantes que se devem ao protagonismo de suas lideranças jovens. As comunidades que passaram a compor a Rede nos últimos anos, praticamente dobrando seu número de integrantes, foram mobilizadas por essas moças e rapazes que se articularam com outros jovens de associações das comunidades vizinhas. Todo um processo de aproximação, apresentação da Rede, seus objetivos, estratégias e metodologias e mesmo a integração das novas associações a ela foi desenvolvido e executado em conjunto com as jovens lideranças.

Esse processo pode ser considerado, inclusive, como a origem da metodologia das Jornadas. Ainda em um ambiente virtual não específico como os disponíveis atualmente, foi desenvolvido um processo de mobilização das lideranças comunitárias dividido em etapas e com tarefas determinadas. Funcionou como um passo a passo para a integração e mobilização de novas comunidades que não só culminou na ampliação da rede, mas também na capacitação dos jovens líderes para processos de mobilização e animação de redes.

No ano seguinte ao da realização dessa primeira Jornada, denominada Jornada de Ampliação da Rede, foi realizada a Jornada Juntos e Misturados, que, para além da inclusão das novas comunidades, contribuiu para sua integração aos trabalhos e projetos executados em prol do desenvolvimento socioeconômico das comunidades.

Pode-se considerar que a Jornada, enquanto uma metodologia participativa de mobilização, é uma tecnologia social desenvolvida pela Rede Comunidades Semiárido e pelo COEP. De acordo com o conceito, mais amplamente difundido, pela RTS – Rede de Tecnologia Social, “Tecnologia social compreende produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social”.

Nesse momento, com a metodologia consolidada, projeta-se que os líderes da Rede possam reaplicá-la contribuindo significativamente para ampliar uma vez mais o alcance das ações da Rede e seus benefícios. Muitos desses jovens são estudantes de nível médio e em suas escolas interagem com centenas de outros de diversas comunidades e mesmo de municípios vizinhos. Considera-se que as escolas enquanto locais de encontro da juventude sejam ambientes privilegiados para mobilização desse público. É também um espaço ideal para a discussão e formação do jovem enquanto cidadão consciente de seu papel na sociedade, seus direitos e deveres, seu poder de atuar sobre seu próprio futuro e o de sua comunidade. A Jornada pode ser vista como uma espécie de incubadora da atitude cidadã que irá gerar resultados não apenas para as comunidades em que vivem esses rapazes e moças, mas para a própria escola e para a qualidade de seu ensino.

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